quarta-feira, 22 de outubro de 2008

(Pós) Modernidade

Outrora fui como o beija-flor, que amava a rosa sem se preocupar com os espinhos. Hoje já não vejo a rosa, apenas os espinhos.
Quisera poder ser Romântica e poder demonstrar meus sentimentos, poder voltar a amar a rosa e observá-la, e beijá-la, beber o seu néctar como gotas de vida que se bebe lentamente como o faz um moribundo.
Hoje a "qualidade total" me fez cética por demais, e o medo de me libertar é mais forte que o desejo de liberdade.
Ah! como eu queria amar a liberdade como o beija-flor ama a rosa... e o mais fascinante é que ele ama igualmente a rosa e a florzinha do campo.
Não consigo deixar de ser máquina, amiga de máquinas, esposa de máquina, e o que é pior, mãe de máquinas.
Mas e os meus sonhos? aquela casinha com jardim? aquele poema matinal? aquela tarde de domingo? aquela brincadeira de criança?
Dói sentir que a distância entre o sonho e a realidade é brutalmente irreal, e violentamente assassina. E que agora, acaba de morrer o derradeiro fio que me atava ao sonho.
Mas quero, pelo menos, tornar-me mãe de gente para não ser avó de máquinas.
Quero ensinar meus filhos que amar a rosa é, antes de tudo, correr o risco dos espinhos.
Maxçuny Alves Neves da Silva

Nenhum comentário: