quinta-feira, 20 de novembro de 2008

MÃE

Outrora foste livre, alegre e sonhadora
E eu, em teu ventre,
Respirava a pureza de teu amor e
Bebia o néctar da tua vida
Em gotas suaves e milagrosas.

Teus sonhos de liberdade
Tornaram-se escravos
No momento em que me deste à luz.
Ninar-me, então, era o teu sonho.

Quantas vezes deixaste de
Beijar a lua e
Abraçar o sol e beber o mar
Por medo de perder-me.

(...)

Mas hoje, uma força impulsiona-me
A fim de que saibas que teus sonhos não morreram em vão.
Eis aqui minhas palavras (vazias), que são
Para trazer-te a alegria de saber que és
Tudo para mim.

Maxçuny Alves

INSANIDADE

Perdi-me sem saber
Que me encontrava
Onde todos buscam se perder.

Enlouqueci buscando a sanidade
E sã fiquei enquanto enlouquecera.
Reencontrei-me onde me achei perdida.

Nesta loucura de ser e estar
Senti-me nada, por nada ser
E em nada me encontrar.

Vazio achei-me, poeira e quase nada, mas
Se encontrar-se é chegar ao fim, e
Achar-se tudo é bastar-se a si.

Que eu seja sempre
este nada mudo
Que na calada do vácuo é tudo.

Maxçuny Alves

PAI

Quando eras jovem nem sonhavas
Que um dia a vida te tornaria assim
Manso como um cordeiro, mas
Valente como um leão.

Quando eras jovem tinhas mil sonhos
E ainda hoje não deixaste de sonhar,
Mas as dificuldades tornaram-se tantas
Que eu quisera resgatar-te os sonhos.

Ah! Se eu pudesse realizar teus sonhos
E tornar tua vida um jardim florido.
Ah! Como eu quisera ter e ser bem mais
Para dar-te o que jamais darei.

Mas sinto que o que queres é bem mais
E, talvez, muito menos do que desejo dar-te.
Tu queres isso, o que conquistaste.
Queres ser não mais que um grande PAI.

Maxçuny Alves

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Brasília

A cidade que me encanta.
Em cada canto uma imagem.
Imaginação que cria.
Criação a cada dia.
Diáspora que se traduz.
Tradução que se cala.
Caleidoscópio do mundo.



Brasília, 27 de outubro de 2008
Maxçuny.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Ao meu amor

Não quero prender-me ao teu corpo
feito parasita ou uma praga qualquer
que se descarta como erva daninha.

Quero ser parte integrante do teu ser.
Nem mesmo pêlo eu quisera ser,
pois pêlo cai e se esvai com o vento.

Quero ser teu sangue e passear
por artérias, músculos, coração.
Quero ser vida em tuas veias.

E viciada neste sangue puro,
jamais dele se separe.

E quando houver separação,
Que seja o fim do que sou
em ti e do que és em mim:

Que seja a morte enfim...

Maxçuny

Asas da Vida

A vida

voa e

vai e

vem e

leva,

leve,

lutas,

lágrimas para

além das

alegrias,

amores que

vão e

vêm.

A vida

voa e

leva,

além

TUDO.

MAXÇUNY

(Pós) Modernidade

Outrora fui como o beija-flor, que amava a rosa sem se preocupar com os espinhos. Hoje já não vejo a rosa, apenas os espinhos.
Quisera poder ser Romântica e poder demonstrar meus sentimentos, poder voltar a amar a rosa e observá-la, e beijá-la, beber o seu néctar como gotas de vida que se bebe lentamente como o faz um moribundo.
Hoje a "qualidade total" me fez cética por demais, e o medo de me libertar é mais forte que o desejo de liberdade.
Ah! como eu queria amar a liberdade como o beija-flor ama a rosa... e o mais fascinante é que ele ama igualmente a rosa e a florzinha do campo.
Não consigo deixar de ser máquina, amiga de máquinas, esposa de máquina, e o que é pior, mãe de máquinas.
Mas e os meus sonhos? aquela casinha com jardim? aquele poema matinal? aquela tarde de domingo? aquela brincadeira de criança?
Dói sentir que a distância entre o sonho e a realidade é brutalmente irreal, e violentamente assassina. E que agora, acaba de morrer o derradeiro fio que me atava ao sonho.
Mas quero, pelo menos, tornar-me mãe de gente para não ser avó de máquinas.
Quero ensinar meus filhos que amar a rosa é, antes de tudo, correr o risco dos espinhos.
Maxçuny Alves Neves da Silva